Estômago II

14/04/2008

O filme não é só do ator.

Peço desculpas por fazer outro adendo, mas como só agora consegui assistir Estômago, de Marcos Jorge, me senti na obrigação de reivindicar, mesmo que brevemente, os méritos do diretor, que ficaram de fora da crítica postada neste blog. O filme também é do diretor.

Marcos Jorge foi direcionado e objetivo: contou a história de Raimundo Nonato, um paraibano que chega em São Paulo, a partir da comida – e aí entendam por comida toda e qualquer conotação que vier à cabeça. E Marcos Jorge faz isso em um filme divertido, cheio de personagens-tipo, caricaturas.

Não só o ator, mas as sacadas do diretor deixam o filme efetivamente digestivo. E a sacada genial: Estômago começa com o close de uma boca e termina com o close de uma bunda (não encontrei forma mais delicada de dizer isso).

Por Gabriela Mayer


Crítica – Estômago: O filme é do ator!

4/04/2008

João Miguel

João Miguel é um tremendo ator. Depois de chamar a atenção em Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) e em O Céu de Suely (2006), ele ainda precisava de um filme para brilhar sozinho: o filme se chama Estômago. Assim como nos filmes em que foi revelado, João Miguel volta a interpretar um nordestino.

Estômago se divide em dois momentos, intercalados ao longo de todo o filme: no primeiro deles, o ator interpreta Raimundo Nonato, um migrante nordestino que tenta a vida em São Paulo; no segundo, ele é Nonato Canivete, agora tentando a vida na cadeia. Logo na primeira cena do filme, em que ele conta, com humor, a história do queijo gorgonzola ao parceiro de cela, fica evidente o que virá dali em diante: um filme calcado no talento de seu protagonista.

João Miguel é quem dá um jeito nas razoáveis atuações do restante do elenco. Também cabe a ele nos fazer rir e prestar atenção a uma história sem qualquer surpresa, mas que agrada pela despretensão – Estômago tange assuntos como a situação carcerária e o submundo da prostituição sem, em nenhum momento, virar denúncia. Cabe também a ele dar uma jeito nas fracas atuações de seus colegas de cena.

Assim como seu personagem, que será bem sucedido nos dois momentos do filme devido aos dotes na cozinha, João Miguel dá o tempero para um filme que, sem ele, seria dos mais indigestos.

ESTÔMAGO (Brasil, 2007)
Direção: Marcos Jorge