Partindo da premissa da isenção jornalística, este post trará argumentos que justifiquem uma espiadela na produção ocidental de Wong Kar Wai, num contraponto ao post publicado abaixo.
1) Muito mais do que a beleza de Jude Law, Rachel Weisz, Norah Jones ou Natalie Portman, o diretor traz uma longa – sim, o filme é longo – narrativa sobre a fragmentação e o caos da sociedade, ao que alguns chamam pós-modernidade. Oriental que é, Kar Wai não dispensa planos mais longos, cenas mais extensas, e isso é bom em alguns casos, como as primeiras conversas no bar de Law.
2) Os planos ‘escondidos’ por trás dos vidros repletos de inscrições dão um tom metalingüístico ao longa, numa proposta estética caótica, confusa e cheia de informações que às vezes confunde o espectador. E ainda assim, dentro desse caos se acha uma beleza impressionante – com a ajuda fundamental dos olhos firmes de Norah e o sotaque britânico de Law.
3) A cena do beijo é, sim, autêntica. Ok, é clichê do clichê, mas ele consegue reinventá-lo e envolve a cena num misto de significações e romantismo incrível, seguindo a postura adotada ao longo de todo o filme. Aposto que alguns saem das salas loucos por um pedaço de torta de blueberry.
4) A trilha sonora. Cat Power, Norah Jones e cia. mandam muito bem, casando as cenas noturnas – às vezes soturnas – cheias de neon e fumaça a um ambiente jazzístico quase dialético. Quero a minha cópia assim que o CD sair. Enquanto não sai, aliás, recomendo a todos o Jazz Masters. Um tanto mais eclético e animado, deve-se ressaltar, mas segue o estilão da trilha do filme. Ao menos para leigos…
Por fim, concordo que, sim, existem cenas desnecessárias. A fase dramática do policial, por exemplo, poderia ter sido reduzida pela metade. Mas Won Kar Wai dialoga com o amor, com a pós-modernidade e com o caráter fragmentário dos dias atuais. E sem perder a ternura. Se às vezes os blockbusters são necessários, essas peças ‘cabeça’, meio pesadas, são fundamentais para uma saudável reflexão do presente, muito embora seja mais cômodo e fácil dizer que Jude Law e os gritinhos subseqüentes sejam o motivo mais plausível para visitar os cinemas.
+++ Vale, sim, assistir. De qualquer forma, o trailer abaixo permite que você tire suas próprias conclusões.
Escrito por omirim
Escrito por Luiz Felipe Fustaino