Vida ou morte?

19/04/2008

 Seqüestros de políticos na Itália e no Brasil são retratados em filmes de diferentes épocas

 

Bom dia, noite

 Dando continuidade às matérias sobre o ano de 1968, assisti um filme recentemente que faz um paralelo interessante com a época. Bom dia, noite, de 2003, narra um dos episódios políticos mais importantes da Itália: em 1978, ocorreu o seqüestro e assassinato do então primeiro-ministro e presidente da Democracia Cristã, Aldo Moro, pelo grupo revolucionário comunista Brigate Rosse (Brigada Vermelha).

Apesar do partido republicano Democracia Cristã ter sido o responsável pela corrupção que assolava o país desde 1946, o assassinato do presidente mobilizou todo o país, fazendo com que até mesmo o Papa presenciasse seu enterro. O objetivo da Brigada Vermelha teve seu efeito contrário, fazendo com que a organização entrasse em declínio a partir de então. A revolução proletária não surtiu efeito, e nos anos seguintes, o governo italiano foi dividido entre os democratas cristãos e os socialistas moderados. 

Bom dia, noite

Com roteiro e direção de Marco Bellocchio, o longa conta a história a partir do ponto de vista de uma personagem fictícia, Chiara (Maya Sansa), uma jovem de 23 anos que trabalha no Ministério de Milão e vai viver com o namorado em um pequeno apartamento.

Supondo se tratar de uma vida normal, descobre-se ao longo da narrativa que Chiara pertence ao grupo das Brigadas Vermelhas, e participou ativamente do seqüestro de Moro, escondendo-o em sua própria casa. O segredo em manter o presidente cativo faz que com que a garota perca contato com o resto do mundo, e acentue os problemas pelos quais os comunistas passavam. De fato, entrando em conflito com os companheiros, Chiara passa a discordar da decisão de matar o já então velho presidente.

O conflito psicológico da protagonista é evidente, e Bellocchio faz o espectador passar por todos os desenlaces, quando mostra Chiara confusa, e não consegue decidir entre soltar Moro e trair seus amigos, ou prosseguir com a luta. 

Bom dia, noite

 

A moça começa a questionar seus princípios e valores, e passa a ter diversos sonhos sobre sua situação. Por Chiara, é possível notar o sentimento coletivo que se tinha de tentar “consertar” o mundo, e as próprias contradições dos esquerdistas da época. A trilha sonora – composta por músicas clássicas e a faixa “Shine on you crazy diamond”, da banda psicodélica dos anos 70, Pink Floyd – ajudam a compor um cenário angustiante e comovente.

No plano nacional, é possível fazer um paralelo com o filme O que é isso, companheiro?, de 1997, dirigido por Bruno Barreto e com roteiro de Leopoldo Serran.

 

                                                                                          

 

O longa, baseado no livro de Fernando Gabeira, narra o episódio de 1969 no qual o grupo Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8 ) – do qual Gabeira fazia parte – juntamente com o outro grupo esquerdista Ação Libertadora Nacional (ALN), seqüestra o embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick e pede em troca da vida do americano, a libertação de companheiros transformados em presos políticos.

Esta ação isolada foi vitoriosa, pois muitos dos militantes que estavam sendo torturados nos porões da ditadura conseguiram liberdade – incluindo o ex-deputado federal José Dirceu de Oliveira e Silva, cassado em 2005 por quebra de decoro parlamentar. Os organizadores do seqüestro, contudo, foram cassados e exilados, como pena por sua rebeldia.

O MR8 seguia a linha dos marxistas-leninistas, e pretendia implantar o regime de inspiração soviética no país. Levava esse nome em homenagem à data que Ernesto “Che” Guevara fora capturado na Bolívia pelas forças da CIA.

No filme, os militantes Maria (Fernanda Torres) e Marcão (Luís Fernando Guimarães) reúnem um grupo de militantes que não se conhecem para realizar o plano de seqüestro do embaixador (Alan Arkin). Durante toda a narrativa, são mostrados todos os passos do ato, do seqüestro à perseguição dos militantes pela polícia carioca. O elenco conta ainda com Pedro Cardoso – interpretando o próprio Gabeira – Cláudia Abreu, Matheus Natchergaele, Caio Junqueira, Selton Mello, Nélson Dantas, Fernanda Montenegro, Othon Bastos, Alessandra Negrini e Eduardo Moscovis.

 

 

Em um fragmento do que acontecia no período das ditaduras e do imperialismo americano, ambos os filmes mostram que um sentimento libertador e de contracultura assolava o mundo. Movimentos artísticos e sociais convergiam para a defesa dos direitos, da igualdade e de um futuro mais promissor – ainda que utópico. A luta estudantil fazia história com a Primavera de Praga, o Maio francês e a Passeata dos Cem Mil. Entretanto, nesta época surgiram, também, muitas outras ditaduras na América do Sul, e os governos militares se fortaleceram, causando muito mais mortes, desaparecimentos e exílios, minando as possibilidades de uma luta revolucionária bem sucedida. 

Imagens tiradas do site Adoro CInema e do blog Penkala.


Os primeiros passos da Ficção Científica

16/04/2008

Por Theo Ruprecht

Quando o ano de 1968 é debatido em mesas de um bar ou em uma sala de aula, questões como o contexto político da época, aliado a toda uma efervescência cultural, são praticamente assuntos obrigatórios. Por outro lado, é menos comum observar pessoas analisando esse ano como um possível marco para os efeitos visuais e a ficção científica no cinema. Mas não é por isso que essa constatação deixa de ser verdadeira.

A ficção científica já era consideravelmente abordada por escritores séculos atrás. Temas relacionados com a ciência e o futuro, ou descobertas de cientistas malucos, geraram obras como “Frankenstein” e “O Médico e o Monstro“. Mas, nesses casos, a imaginação de quem lia era suficiente para criar um mundo fantasioso.

 O problema é que, no cinema, havia uma dificuldade de se criar essa fantasia sem decepcionar o espectador. Isso até a chegada, em 68, de “O Planeta dos Macacos” e “2001: Uma Odisséia no Espaço” para a telona. O primeiro, baseado na obra “La Planète des singes” (1963), de Pierre Boulle, foi dirigido por Franklin Schaffner. Nele, um astronauta sobrevivente de uma missão espacial acaba chegando em um planeta igual a Terra e percebe que macacos inteligentes dominam o lugar, escravizando seres humanos. 

O filme tem estrelas como Roddy McDowall e Charlton Heston – esse, aliás, morreu no último domingo, deixando em sua carreira outros clássicos como “Ben Hur” e “El Cid“. Mesmo assim, não são somente o elenco ou a história – que tem uma reviravolta no fim, quando descobrimos que aquele planeta era mesmo a Terra – os responsáveis pelo estrondoso sucesso, e suas inúmeras regravações futuras. Na verdade, o “Planeta dos Macacos“, através dos lasers toscos e das fantasias de símios, conseguiu mostrar que a ficção científica poderia ser um bom ponto de investimento para a indústria do cinema.

Stanley Kubrick foi ainda mais longe com “2001: Uma Odisséia no Espaço“. Baseando-se no livro “A Sentinela” (1951), de Arthur Clarke, o diretor norte-americano chegou a colocar a máquina HAL 9000 como uma das protagonistas. Ou seja, uma mudança de paradigma acontecia no mundo Sci-Fi, antes pouco explorado no cinema. Isso sem contar os efeitos visuais revolucionários, que contaram com projetos em miniatura de naves espaciais, tiros de armas a laser. E, claro, a cena em que um osso jogado para cima muda para uma ferramenta, sinal da evolução do ser humano. 

Assim, o mérito de Kubrick e Schaffner e de todos que participaram dessas produções foi apostar nesse ramo, pensando na imagem como uma maneira de desafiar a imaginação. Isso quando os computadores estavam longe de ter uma capacidade que pudesse, por si só, tornar o fantasioso muito real. Em outras palavras, eles queimaram neurônios para buscar uma maneira criativa de apresentar macacos e robôs falantes que não ficassem completamente distantes dos espectadores.

Sem dúvida, “O Planeta dos Macacos” e “2001: Uma Odisséia no Espaço” deram os primeiros passos do Sci-Fi na telona. E, em 1977, George Lucas, com o seu irrepreensível “Guerra nas Estrelas: Uma Nova Esperança”, mostrou ter aprendido a lição. Além de um enredo interessante, o filme capturou a todos com suas naves, suas fantasias e suas armas. E, a partir daí, a ficção científica não parou de crescer e despertar a atenção de todos que pretendiam, de um modo ou de outro, dar aquela escapadinha do planeta Terra.


Crítica – Bobby

9/04/2008

As ilusões de uma América liberal

A vitória do medo sobre a esperança é a teoria de Bobby para explicar uma suposta crise dos valores norte-americanos

 

por LUIZ FELIPE FUSTAINO

 

O que seriam os EUA se o democrata Robert F. Kennedy não fosse assassinado e vencesse as eleições presidenciais de 1968? Emilio Estevez usa as duas horas do seu filme Bobby, que acaba de sair em DVD no Brasil, para responder a essa pergunta. Estevez não se desprende da sua visão pessimista do momento presente, imaginando como seria um país governado pelos democratas, e não pelos republicanos, que predominaram no comando dos EUA de 1968 para cá.

 

Bobby parece ter sido filmado por um aspirante a Robert Altman. Traz uma porção de histórias entrecortadas, dessas que não são diretamente ligadas entre si, mas que se completam para tentar compreender toda a sociedade de uma época. Há o traficante maneiro que oferece LSD para os jovens engravatados. Há a cantora decadente que, seduzida pela fama, rompeu com os limites dos bons-modos e passa o dia embriagada. Há o falso-moralista, há o latino oprimido, há uma série de histórias sendo contadas ao mesmo tempo para dar um panorama daquela sociedade.

 

Mais Altman: um elenco de atores bastante conhecidos – são pelo menos 15 atores de peso, desde os representantes da velha-guarda Anthony Hopkins e Martin Sheen (pai de Emilio Estevez) até a nova geração, com Elijah Wood, Lindsay Lohan e Shia LaBeouf. E cada história contada é um pedaço da resposta de Emilio Estevez à pergunta que conduz seu filme.

 

Colocar uma infinidade de atores famosos em um filme com tanta pretensão política deixa claro que Bobby é uma tentativa de se contar a história pela ótica dos artistas. É só pensar quais são os movimentos em que artistas costumam se envolver, os políticos com quem costumam se alinhar e logo se entende qual será a versão da história contada por Emilio Estevez e sua trupe.

 

A sociedade americana em 1968 é, segundo Bobby, uma sociedade em transformação, mas que tem sua metamorfose interrompida pela morte de Robert Kennedy. Os atentados a políticos americanos (Robert Kennedy e, antes dele, Martin Luther King) teriam, assim, gerado o medo que fez com que os americanos deixassem de lado a esperança de um novo país. Só isso justificaria a hegemonia do partido Republicano nos 40 anos que distanciam a morte de Bobby do segundo mandato de George W. Bush.

 

Bobby reduz toda a sociedade americana a essa amedrontada elite liberal, como se os conservadores não tivessem qualquer importância na tomada de decisões para o rumo que o país tomaria. É como os tão esclarecidos liberais tivessem sido silenciados pelo medo e, com isso, uma minoria conservadora passasse a dar as cartas temporariamente, à espera do momento em que seus adversários ressurgiriam e mostrariam porque tomam decisões muito mais sábias do que entrar em uma guerra por petróleo no Oriente Médio.

 

O pior é que nem mesmo o verdadeiro pensamento liberal é representado pelos seus personagens, mas as preocupações da classe artística americana é que são retratadas (e simplificadas) nas várias histórias do filme. Emilio Estevez parece se contaminar pela visão de um ator que viveu apenas na Califórnia, que sempre esteve cercado por atores devido à fama do pai, Martin Sheen, e também à escolha profissional do irmão, o também ator Charlie Sheen.

 

Durante o filme, exibem-se alguns trechos de discursos de Kennedy. A edição feita por Emilio Estevez deixa ainda mais patente não só a capacidade de comover multidões e de encher de lágrimas muitos olhos esperançosos mas também a pobreza do conteúdo de suas falas. O pré-candidato é apresentado como um pastor carismático, não como um político virtuoso. A imagem de Kennedy é muito semelhante à de Obama, candidato que também tem a esperança como raiz de seu principal slogan – “Yes, we can” (sim, nós podemos).

 

O filme Bobby é como o personagem Bobby. Tenta trazer uma série de respostas, uma série de questionamentos, mas no final fica a impressão de que é tudo discurso, e que sobra pouca sinceridade naquilo tudo. Quer dizer tanto que não acaba dizendo nada. Não conta nenhuma história, não deixa tempo para que o espectador crie empatia por nenhum de seus personagens.

 

Pretensioso como todo filme político, Bobby quer convencer o espectador-eleitor a dar seu voto para a esperança de um novo mundo. Pode até ser que boa parte do público se deixe levar, mas peca ao se esquecer que os espectadores de filmes independentes americanos e seus dilemas não são nem mesmo parecidos com a cabeça do americano.

 

 

BOBBY

(Bobby, EUA, 2006)

Direção: Emilio Estevez

Com: Anthony Hopkins, Demi Moore, Sharon Stone


Luz vermelha para a realidade; luz verde para os protestos

8/04/2008

 Em “O Bandido da Luz Vermelha”, Rogério Sganzerla revoluciona o cinema nacional, mas exagera ao não representar a realidade

 

Em uma época conturbada da história brasileira – o ano de 1968, em que foi instaurado pela ditadura militar o Ato Institucional N° 5, o famoso AI-5 – diretores nacionais de cinema tiveram de adaptar-se à nova realidade que tomava conta da liberdade política e também de imprensa.

Assim, surgiu o Cinema Marginal, que se desprendia do Cinema Novo – também sofredor de censura prévia e com baixíssimos orçamentos – para radicalizar com a sociedade e mostrar o desencantamento com a mesma. Nessa vertente, muitos diretores fizeram sua fama no meio artístico e ficaram conhecidos como ícones de seu tempo.

O principal deles foi Rogério Sganzerla, que fez duas produções que retratam exatamente esse radicalismo: “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), o mais conhecido, e “A Mulher de Todos” (1969), que utilizam alguns atores em comum, como a bela Helena Ignez (que faz a prostituta Janete Jane no primeiro e Ângela Carne e Osso, a protagonista do segundo) e Paulo Villaça (personagem principal do “Bandido” e intérprete de Ramon no segundo).

“O Bandido da Luz Vermelha”, como o próprio nome lembra, baseia-se na história de João Acácio Pereira da Costa, um assaltante de residências de luxo da cidade de São Paulo que estuprou mais de cem mulheres e roubou um número semelhante de casas. Acácio era perfeccionista e tinha a mania de grandeza como principal traço, além de ser extremamente inteligente.

Segundo Edson Flosi, professor da Faculdade Cásper Líbero, ex-repórter policial da Folha de São Paulo e um dos jornalistas que cobriram a história do bandido, Acácio tornou-se praticamente um “super-herói” pela imprensa da época. “Certamente ele virou um personagem da história brasileira. Cada um pensa no bandido de um jeito”, explica.

Sganzerla pensou no Luz Vermelha de uma forma peculiar para seu filme. Na produção do diretor, Acácio – que não tem seu nome citado – era semi-analfabeto e não se preocupava muito em ser discreto. No entanto, a realidade era outra. “O João Acácio entrava sempre nas residências com luvas, chapéu e um lenço cobrindo a boca. Ele também escolhia o horário entre 4 e 6 horas da manhã, que era o horário mais pesado do sono, para assaltar”, lembra Flosi.

Se há discrepâncias entre a realidade e a representação do ladrão no filme, semelhanças também podem ser encontradas, caso o espectador preste atenção em alguns detalhes. Um deles é o modo como João Acácio entrava nas mansões, quase sempre do mesmo jeito. “Ele (Luz Vermelha) pegava macacos de carros que ele usava para esticar as grades das janelas, e assim ele entrava”, diz o ex-jornalista. Nas cenas em que o bandido invade as mansões, isso é retratado com fidelidade, assim como a frieza característica do criminoso, bem representada e muito bem interpretada por Paulo Villaça, o ator que dá vida ao personagem.

Para os fãs da história de João Acácio Pereira da Costa, no entanto, o filme chega a desapontar. Na produção, o bandido aparece como um ser anarquista, apesar de quase analfabeto, e atuando em um bando, a “Guerrilha Mão Negra”, que era uma espécie de gangue do político corrupto J.B. da Silva, estereótipo dos militares que comandavam o país. Segundo Edson Flosi, no entanto, Acácio agia sempre sozinho, sem comparsas nem capangas.

Além disso, “O Bandido da Luz Vermelha” não retrata a primeira prisão de João Acácio, por receptação, quando este apresentou uma identidade falsa na polícia, dizendo ser Roberto da Silva. Foi aí que o bandido, que morava em Santos (outro episódio da vida de Acácio não mostrada), deixou a primeira pista para sua captura pela polícia, que o deixou 30 anos recluso.

Captura essa que não acontece no filme de Sganzerla. Depois de ter sido delatado por sua ex-parceira, a prostituta Janete Jane (na vida real, Acácio foi reconhecido por uma vítima, que recebeu três tiros e sobreviveu), o bandido cai em um grande conflito interno e comete o suicídio ao enrolar-se em fios elétricos e cair no chão eletrocutado.

Com tantas contradições entre a vida real e a história produzida pelo diretor Rogério Sganzerla, chega-se a conclusão que a história de João Acácio Pereira da Costa serve apenas como pano de fundo para um filme que protesta contra a ditadura e a escracha de maneira veemente (até mesmo supostos discos voadores aparecem no dia da morte do Luz Vermelha) em sua época mais “linha dura”.

Enquanto o bandido e a vizinhança da “boca do lixo”, onde o protagonista morava, diziam que “o terceiro mundo vai explodir, e quem tiver (sic) usando sapato não sobra”, seu diretor fez exatamente o que os personagens diziam: Acácio, um homem que tinha vários sapatos e roupas vermelhas, não sobrou na história. Aliás, faltou. E muito.

 

Por Henrique Guidi


Uma volta ao passado

7/04/2008

A partir desta terça-feira (08/04), o blog Ewaldos Filhos iniciará uma série de posts sobre as criações cinematográficas do ano de 1968, data na qual foi instaurado pelo governo militar o Ato Institucional N° 5, que de fato oficializou a linha dura dos manda-chuvas brasileiros e instalou a censura em jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão e também no meio artístico aqui no Brasil.

No entanto, Ewaldos Filhos também tratará de produções internacionais feitas em ou sobre o ano de 1968. Um exemplo será uma análise do filme Bobby (1968), do diretor Emilio Estevez, filho mais velho do ator Martin Sheen e um dos que fizeram episódios para as séries de televisão “Cold Case” e “CSI: NY”, duas das mais consagradas dos Estados Unidos.

Continuando o giro pelo mundo dos filmes, nossa parada será a Europa, mais exatamente a França. Se no Brasil o AI-5 prometia acabar com toda e qualquer liberdade, estudantes daquele país faziam a revolução de maio de 1968. Desse período, nasceu um romance entre dois jovens que faziam parte de um mesmo grupo de amigos. Esse é o enredo de Amantes Constantes (2005), de Philippe Garrel. Um drama com 178 minutos devidamente comentados por nossa equipe.

A parte nacional do “festival” terá alguns filmes da época que tornaram-se ícones de seus gêneros. Logo na estréia da série, o blog trará das margens da cinegrafia O Bandido da Luz Vermelha (1968), devidamente censurado pelos militares. Com restrições orçamentárias, o diretor Rogério Sganzerla baseou-se na história de um dos maiores bandidos da história do país e mistura ficção e realidade em uma ótima produção – se levadas em conta a vigia dos governantes e a falta de dinheiro característica dos filmes do Cinema Marginal.

Do mais, caro leitor, você também poderá conhecer mais de outras grandes produções, tanto do Brasil quanto do mundo, todas referentes ao ano de 1968, o chamado “ano das transformações”.

Boa leitura e bom divertimento!

Equipe Ewaldos Filhos

Postado por: Henrique Guidi


É Tudo Verdade

1/04/2008

O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, que conta com 137 filmes e entrada gratuita em todos os cinemas, reúne vencedores de prêmios internacionais, retrospectivas e conferências.

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Entre os destaques do Festival está o filme Geração 68, de Simon Brook, que fala da atmosfera da época a partir do ponto de vista de diversos artistas – entre eles, o cineasta Milos Forman, o ator Dennis Hopper e o fotógrafo William Klein. A agitação cultural e política, refletida na produção cultural da época, é o principal foco do documentário. Jean Claude Carriere, roteirista que colaborou com o cineasta Luis Buñuel em filmes como O Discreto Charme da Burguesia e A Bela da Tarde, e atualmente trabalhou no roteiro de Sombras de Goya, de Milos Forman, abre o filme falando da importância do ano de 1968, que se tornou tão mitificado que “é como se falássemos de uma pessoa, de alguém que existiu e desceu à terra para fazer seja o bem ou seja o mal”. Já para o cineasta Milos Forman, o ano de 1968 foi “uma longa travessia”. 

O filme conta também com depoimentos curiosos, como o de Milos Forman contando como o escritor tcheco Milan Kundera recebeu a notícia da ocupação russa na França. Milan Kundera, famoso por suas amantes, estava com uma mulher em seu estúdio quando alguém bateu em sua porta para avisar sobre a chegada dos russos. Segundo Forman, o escritor tcheco ficou aliviado ao saber da ocupação, pois tinha pensado que a batida era de sua mulher.

 

O filme faz parte das “Projeções Especiais” do É Tudo Verdade.

Para mais destaques do festival, clique aqui

Fontes: http://www.etudoverdade.com.br/2008/home.asp

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2704290-EI6782,00-Geracoes+era+um+sonho+e+tudo+verdade.html

Por Stefanie Gaspar