O herói real

30/07/2008

POR HENRIQUE GUIDI

Dando uma passada aqui por Ewaldos Filhos vi que cometemos um grande pecado cinéfilo: é inadmissível que um blog que se diz de cinema ainda não tenha falado do grande filme que toma conta das salas de projeção brasileiras: Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 140 minutos).

Quem perdeu tempo para assistir Batman Begins pode até ter ficado receoso para acompanhar a nova aventura do Homem-Morcego. Um filme comum, sonolento e muito abaixo das histórias do cavaleiro das trevas poderia ter feito “micar” a mais nova estréia do rival do Coringa. No entanto, isso não aconteceu.

Para quem foi ao cinema e assistiu a “Cavaleiro das Trevas” ficou a sensação da reparação de um erro, o erro de ter sido rodado o “Begins”. Com o mais novo lançamento, Batman assume um papel de herói realista, sofrendo alguns baques durante a história e até mesmo mordidas de cachorros em suas batalhas contra os mafiosos de Gotham City.

O Batman em si parece ser meio comum. Christian Bale, o intérprete, ficou mais notório por ter batido na mãe e na irmã em Paris do que por sua atuação por trás da máscara negra. No entanto, o destaque fica por conta dos coadjuvantes - ou seriam eles os principais?

Heath Ledger deixará saudade. O ator que morreu no começo do ano após ingerir remédios demais encerrou sua vida artística com chave de ouro na interpretação do vilão Coringa , o ponto alto do filme. Ledger teria ficado um mês trancafiado em um quarto de hotel apenas estudando o personagem dos quadrinhos originais, para poder interpretar o antagonista o mais próximo possível de sua concepção. Não decepcionou. A língua e os risos maquiavélicos o fizeram substituir mais do que à altura a Jack Nicholson, o mais famoso ator que deu vida ao “Joker”.

Um outro personagem que sempre foi meio esquecido nas películas de Batman é o Comissário Gordon. O comandante do policiamento de Gotham City sempre foi um grande parceiro do Homem-Morcego nos quadrinhos e nos seriados, mas nunca no cinema. Para fazer Gordon brilhar, ninguém menos que o inglês Gary Oldman foi chamado, um consagrado ator que mostrou a que veio no filme.

Com tantos bons ingredientes - e um promotor que por vezes transforma-se no herói da cidade de Gotham – é recomendável gastar um pouco para comparecer a qualquer Cinemark ou outras salas comerciais de cinema. Ainda que os preços não nos façam querer deixar de comprar aquela famosa cópia “3 por 10″ nas ruas.

Para quem já viu e gostou, uma boa notícia: vem aí o terceiro da última trilogia “batmanesca”. Se Begins foi ruim e Cavaleiro das Trevas foi excepcional, esperemos que o derradeiro episódio siga a linha do segundo e delicie cada vez mais os fãs de um dos únicos heróis humanos existentes na face da Terra – para mim, insuperável.