Por Tainá Tonolli
Já foi comentado aqui a programação do Panorama do Cinema Francês que acontece até dia aqui na Reserva Cultural. O evento é um verdadeiro sucesso – os ingressos estão esgotados há alguns dias para todas as sessões.
Para quem se programou com antecedência, foi possível comprar o pacote com os oito filmes. Já vi cinco deles, e apesar das piadas, nenhum tem uma temática alegre.
Lady Jane: Muriel tem seu filho sequestrado e se encontra com antigos compnheiros de crime para tentar resolver o caso ou pagar a fiança. Vingança é o que motiva o grupo. Um bom filme, mas poderia ter umas cenas a menos. Além disso, a certa altura, um dos amigos de Muriel lembra que era apaixonado por ela e volta afazer cobranças sobre o passado. Engraçado como ninguém consegue pensar numa amizade sincera entre homens e mulheres, sem envolver amor/sexo.
A Última Amante: Ryno esta prestes a se casar. Ama sua noiva, mas não consegue se livrar da amante espanhola Vellini (claro, as espanholas são a encarnação do demônio, fazem a cabeças do homens e são insaciáveis). O melhor do filme é a avó da noiva, que tudo aceita e tudo entende. Mais moderna que os mais jovens. Em segundo lugar, ficam as cenas do começo da relação de Ryno e Vellini. O ator Fu’ad Aït Aatou é bom, mas perde para Luis Garrel (protagonista de Canções de Amor, que vi no mesmo dia).
Canções de Amor: Ah, Garrel… Do mesmo diretor de “Em Paris”, Christophe Honoré, o musical se passa em Paris, e como a cidade é linda, a fotografia aproveitou. Se você viu “Em Paris” e gostou, vai amar este também. Garrel é casado (mora com a namorada), mas uma terceira mulher (Alice) acaba se envolvendo na relação. A namorada morre e ele tenta se recompor da perda. Acaba conhecendo o cunhado de Alice que se apaixona por ele. Lindo, lindo, lindo…
A Advogado do Terror: Documentário sobre um cara que defende terrorístas, criminosos e sumiu por uns 8 anos. 135 minutos que passam sem perceber. Os depoimentos dele são os melhores.
O Escafandro e a Borboleta: Um ator que não faz nada e dá um show. Sensível, maravilhoso. O primeiro com ingressos esgotados com vários prêmios. Bauby, editor da Elle, tem um AVC (derrame cerebral) e fica completamente imoblizado. E escreve um livro, com a ajuda de uma ortofonista que desenvolve um método para que ele se comunique com o olho esquerdo, única coisa em seu corpo que se mexe. Podia ser desesperador, piegas, mas não. Com pensamentos bem humorados, o filme é mais leve do que parece.
Como eu disse, só umas histórias tristes. Mas vale a pena ver todos. Entre bons e muito bons, cada ingresso vale a pena.
Canções de amor
28/06/2008 às 11:12 pm |
A Última Amante eu achei bom, mas esse estereótipo de que mulher espanhola é fogosa, violenta e imprevisível cansa tanto…
30/07/2008 às 9:05 am |
Oi Tainá, vi muitos filmes franceses a vida toda, desde adolescente, e chegou uma hora que a masturbação mental me cansou: o lance não é viver a relação, mas discuti-las! Acho que uma herança filosófica talvez? Mallarmé já escreveu “A carne é triste! E eu já li todos os livros…”. A cidade é muito linda mesmo e tudo funciona muito bem para eles, no sentido prático da vida, acho que deve ser um pouco também de tédio existencial. Tô gostando dos blogs de vocês, na volta falamos! Beijos