Um Beijo Roubado – Três razões para não ver

1.    Um Beijo Roubado é um filme chatíssimo. Os críticos da Folha estão tentando retirá-lo do purgatório em que se meteu desde sua primeira (e decepcionante) exibição no último Festival de Cannes. Mas é impossível – o filme é um porre. Para entender o porre, imagine assistir a um road movie cult romântico. Prefira o Recém-casados, com Ashton Punk’d Kutcher.

 

2.    Quem protagoniza o filme é a cantora Norah Jones. Sua personagem (Lizzie) sofre uma transformação que você talvez nunca tenha visto em filmes: uma menina insegura que se torna mulher. Inédito, né?! Acontece que Norah Jones, por não ser atriz, acaba convencendo nos momentos de insegurança. O grande problema é que a atriz não acompanha a personagem: a metamorfose de Lizzie, que seria o único trunfo do filme, não acontece.

 

3.    A tradução brasileira do nome do filme é infiel a My Blueberry Nights, mas surte ótimo efeito. Você só não vai dormir durante o filme porque quer ver o tal do beijo roubado. Traduzido ao pé da letra, Minhas Noites de Mirtilos teria o mesmo efeito de um tarja-preta.

 

+++ As mulheres têm uma única motivação para ver Um Beijo Roubado: Jude Law. Ataques histéricos de meninas poderão ser vistos até mesmo por quem preferir o cinema mais sério de São Paulo, o non-pipoca Reserva Cultural.

3 Respostas para “Um Beijo Roubado – Três razões para não ver”

  1. betharr Disse:

    também me enfastiou. img saturada e slow motion em excesso.

  2. Mariana Pasini Disse:

    O ruim do filme é que é muito longo.
    E o Jude Law nem tá tão bonito assim…
    Mas aahh que beleza de sotaque britânico, não?
    E a Norah devia mesmo se limitar às cantorias, porque nelas ela a-ha-za!

  3. KADOSH Disse:

    Para considerar “My Blueberry Nights” um filme chato, devo pressupor que a sua concepção de legal esteja mesmo em “Recém-casados” com Ashton Kutcher.

    Acompanho os outros filmes de Wong Kar-Wai e enxergo a relação que o filme realiza com suas questões anteriores, que vão desde o uso de câmeras lentas e enquadramentos que descentralizam os personagens – até reflexões sobre os comportamentos humanos diante do outro, lidando principalmente com a ausência física ( tanto em “In The Mood for Love”, como em “My Blueberry Nights” não vemos, ou quase, o rosto daqueles personagens por quem os protagonistas tanto sofrem, assim era com o adultério da mulher e do homem em “In The Mood…” ou o namorado de Norah Jones ou o pai de Natalie Portman, em “My Blueberry…”.

    É curioso notar que os fãs de Wong Kar-Wai considerem este, “My Blueberry Nights”, uma “traição ocidental”, como se o diretor tivesse, sem escrúpulos, se vendido ao mainstream. E do outro lado, o que percebi enquanto o filme era projetado (em uma sala de cinema Kinoplex) é que os comentários daqueles que desconheciam quem era Wong Kar Wai – haviam ido ao cinema para ver um filme de terror, mas como este encontrava-se esgotado compraram ingressos para o filme em questão – só demonstraram que qualquer cena que se faça hoje em dia, com mais de 1 min de duração, sem trilha, ângulos que não mostrem nitidamente os atores, já são considerados “chatos” e “enfadonhos”.

    Não estou dizendo que o filme é uma obra-prima, até porque este é um conceito aplicável nas artes do passado, e com o advento da pós-modernidade torna-se muito simplório recorrer à ele. Mas acredito que o filme tem questões significantes, tratando do universo do bar como um espaço de passagem, fazendo com que as únicas lembranças que uma pessoa possa ter depois de sua morte seja uma “conta à pagar”, e na aparente simplicidade dos elementos, como as chaves e suas histórias, faz com que o flime seja lembrado por isso.

    Agora basta saber de que lado você está: do lado dos fãs “cult” que se decepcionaram com o capitalismo do diretor oriental ou do lado dos que preferem ver uma piada com o Ashton Kutcher e acharam o filme “lentinho” demais.

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