Por Theo Ruprecht
Quando o ano de 1968 é debatido em mesas de um bar ou em uma sala de aula, questões como o contexto político da época, aliado a toda uma efervescência cultural, são praticamente assuntos obrigatórios. Por outro lado, é menos comum observar pessoas analisando esse ano como um possível marco para os efeitos visuais e a ficção científica no cinema. Mas não é por isso que essa constatação deixa de ser verdadeira.
O problema é que, no cinema, havia uma dificuldade de se criar essa fantasia sem decepcionar o espectador. Isso até a chegada, em 68, de “O Planeta dos Macacos” e “2001: Uma Odisséia no Espaço” para a telona. O primeiro, baseado na obra “La Planète des singes” (1963), de Pierre Boulle, foi dirigido por Franklin Schaffner. Nele, um astronauta sobrevivente de uma missão espacial acaba chegando em um planeta igual a Terra e percebe que macacos inteligentes dominam o lugar, escravizando seres humanos.

O filme tem estrelas como Roddy McDowall e Charlton Heston – esse, aliás, morreu no último domingo, deixando em sua carreira outros clássicos como “Ben Hur” e “El Cid“. Mesmo assim, não são somente o elenco ou a história – que tem uma reviravolta no fim, quando descobrimos que aquele planeta era mesmo a Terra – os responsáveis pelo estrondoso sucesso, e suas inúmeras regravações futuras. Na verdade, o “Planeta dos Macacos“, através dos lasers toscos e das fantasias de símios, conseguiu mostrar que a ficção científica poderia ser um bom ponto de investimento para a indústria do cinema.
Stanley Kubrick foi ainda mais longe com “2001: Uma Odisséia no Espaço“. Baseando-se no livro “A Sentinela” (1951), de Arthur Clarke, o diretor norte-americano chegou a colocar a máquina HAL 9000 como uma das protagonistas. Ou seja, uma mudança de paradigma acontecia no mundo Sci-Fi, antes pouco explorado no cinema. Isso sem contar os efeitos visuais revolucionários, que contaram com projetos em miniatura de naves espaciais, tiros de armas a laser. E, claro, a cena em que um osso jogado para cima muda para uma ferramenta, sinal da evolução do ser humano.
Assim, o mérito de Kubrick e Schaffner e de todos que participaram dessas produções foi apostar nesse ramo, pensando na imagem como uma maneira de desafiar a imaginação. Isso quando os computadores estavam longe de ter uma capacidade que pudesse, por si só, tornar o fantasioso muito real. Em outras palavras, eles queimaram neurônios para buscar uma maneira criativa de apresentar macacos e robôs falantes que não ficassem completamente distantes dos espectadores.
Sem dúvida, “O Planeta dos Macacos” e “2001: Uma Odisséia no Espaço” deram os primeiros passos do Sci-Fi na telona. E, em 1977, George Lucas, com o seu irrepreensível “Guerra nas Estrelas: Uma Nova Esperança”, mostrou ter aprendido a lição. Além de um enredo interessante, o filme capturou a todos com suas naves, suas fantasias e suas armas. E, a partir daí, a ficção científica não parou de crescer e despertar a atenção de todos que pretendiam, de um modo ou de outro, dar aquela escapadinha do planeta Terra.

18/04/2008 às 1:18 am |
hahaha um ótimo recorte para o tema principal!
18/04/2008 às 3:06 pm |
em tempo:
http://especiais.globonews.globo.com/68/