Condor: é tudo verdade?

29/04/2008

O documentário brasileiro Condor, de Roberto Mader, estréia nesse feriado de 1º de maio. Conta o que foi a Operação Condor, uma poderosa arma de repressão que integrou as ditaduras da Argentina, do Chile e do Brasil.

 

 

No site da Faculdade Cásper Líbero, explico porque o filme deve ser visto com cautela. Ao colocar alguns ditadores contra a parede (Jarbas Passarinho, Manuel Contreras), consegue depoimentos importantíssimos para a História. Mas ao se eximir de questionar o porquê da truculência dos militares e ao apresentar as esquerdas como coitadinhas, o filme não assegura credibilidade. 

[O diretor Roberto] Mader consegue responder à pergunta “como foi a Operação?” apenas porque aquele material, repleto de torturas, mortes e desaparecimentos, compromete apenas os réus de seu filme. Todavia, ao deixar de lado qual seria a razão para a criação de um esquema continental de repressão, fica a errônea impressão de que os militares são gratuitamente truculentos, ou seja, de que matam e torturam por puro instinto cruel e sanguinário. (leia a íntegra do texto Condor faz cafuné nas esquerdas)

 

O principal festival de documentários do país, promovido em várias capitais do Sul e do Sudeste, se chama É Tudo Verdade. Sempre fui resistente ao nome: documentaristas têm com a verdade uma relação diferente da que os jornalistas nutrem por ela. Geralmente, documentaristas estão comprometidos ou com o pobrismo (a mania de contar histórias de gente pobre e desdentada pelo simples fato de que a imagem delas na telona causa um efeito desolador) ou com o esquerdismo (como é o caso de Condor).


Algumas histórias e poucas mensagens de uma geração

29/04/2008

 

Por Pedro Belo

“Hair” e “Across the Universe”.O que estes dois musicais que retratam a mesma época têm em comum? Produzidos em contextos completamente diferentes, pode-se dizer que nenhum dos dois foi filmado a partir de um roteiro original. O primeiro por se basear no musical homônimo, que mais tarde seria encenado na Broadway. O segundo por basear sua narrativa nas canções da banda que foi uma das principais vozes da época: os Beatles.

 

 O pano de fundo no qual as duas histórias se passam é a cidade Nova Iorque do final da década de 1960, palco das maiores manifestações da contra-cultura norte-americana da época. “Hair” conta a história de Claude, um jovem de Oklahoma que vem para a metrópole antes de seu alistamento militar para a Guerra do Vietnã. Chegando a Nova Iorque, ele conhece um grupo de Hippies “liderados” por Berger e se apaixona por uma garota da alta sociedade nova-iorquina. O filme parece demonstrar o tempo todo o conflito entre a filosofia “paz e amor” e a falta de argumentos daqueles que a ela se opunham naquele momento. Uma verdadeira exaltação ao movimento hippie.

 

 

Com poucos, porém indispensáveis diálogos, as canções e coreografias em “Hair” servem para transmitir o pensamento dos personagens, e em algumas situações servem como complementos para a narrativa.  

 

“Across the Universe” conta a história de Jude, um jovem inglês da cidade de Liverpool que vai para os Estados Unidos à procura do pai que nunca conheceu. Uma vez na América, o jovem conhece os irmãos Max e Lucy. Assim como em “Hair”, os principais conflitos da história se desenvolvem em torno da Guerra do Vietnã. Ambos têm como protagonistas “estrangeiros” inseridos no mesmo contexto turbulento.

 

Apesar de descrevem o Movimento Hippie e as contraculturas de maneira superficial, no caso de “Hair”, o discurso de exaltação aos hippies soa quase como uma descrição precisa e parece ser mais convincente. Originalmente um musical que causou impacto na sociedade norte-americana da época, o filme de 1979 traduz em suas canções e figurações um pouco do que sustentavam os cabeludos que pregavam o amor livre contrapondo-se a insanidade e a falta de sentido de uma guerra em um país distante, lutada para que fosse mantido um estilo de vida e suas influências.

 

Com uma narrativa desconexa e simplória, “Across the Universe” usa as canções dos Beatles de forma pouco aprofundada para expor conflitos e contar histórias. O que deveria ilustrar o desenvolvimento da história acaba sendo a condição única para que ela se desenvolva, o que limita conflitos e reduz músicas como “Revolution” ou “Hey Jude” a simples diálogos entre personagens pouco elaborados. O resultado decepciona. Há personagens, como a coadjuvante Prudence, que entram na história apenas por terem o nome em uma canção (no caso “Dear Prudence”).

 

Se considerarmos que são classificados como musicais obras que tem uma narrativa baseada em canções “Across the Universe” não se encaixa exatamente nesta categoria. O filme parece adaptar sua narrativa a uma gama limitada de canções que terminam por controlar toda a história.

 

 


Irina Palm (dica para o domingo. Ou para o resto da semana)

27/04/2008

Se o teu time não joga no domingo, e você não está disposto a enfrentar multidões e quilométricas filas para os eventos de nossa chamada “Virada Cultural” paulistana, vá ao cinema.

Se não sabe o que assistir, uma dica: “Irina Palm” um filme que surpreende pela leveza e não poderia ser mais apropriado para uma tarde (ou noite) de domingo. 

“Irina Palm” conta a história de Maggie, uma viúva inglesa de cinquenta e poucos anos que, esgotada de recursos para o caro tratamento médico do neto, procura trabalho no Soho londrino até que, sem mais opções, acha um emprego nada ortodoxo em um clube privê chamado “Sexy World”. Como um filme que tem tudo para ser um massante dramalhão sobre a humilhação de uma senhora inglesa diante de uma sociedade injusta se torna um programa divertido?

O filme relativiza os atos e a história da protagonista, evitando qualquer tipo de clichê que a história poderia apresentar. A atriz Marianne Faithfull faz um ótimo trabalho como a ingênua e boazinha “vovó” Maggie. É ótimo presenciar a transformação da personagem, que de Maggie, a senhora inocente, passa para Irina Palm, o maior sucesso das casas noturnas de Londres. Como ela faz sucesso? É necessário assistir para saber.  Também é divertido ver a mudança chocante da atitude de Maggie em relação às suas “amigas” do chá da tarde.

“Irina Palm” ainda vale a pena pelo divertido personagem Miki, um cafetão estrangeiro que transborda simpatia e se torna uma supresa na vida de Maggie.

Por representar uma gigantesca quebra de clichês e expectativas, o filme merece ser assistido. Existem várias maneiras de se contar uma história, e o diretor Sam Garbarski (” O Tango de Rashevski”) acertou ao escolher a maneira descontraída, quebrando tabus e preconceitos. De sinopse desanimadora, “Irina Palm” é um bom programa para o domingo pois surpreende ao transmitir leveza em uma história que poderia ser um dramalhão pesado e melancólico.  


Cut! [semana1]

25/04/2008

Contra o waterboarding
*** Para denunciar uma prática de tortura condenável da qual os EUA (CIA, mais especificamente) são acusados de praticar, a Anistia Internacional veiculará no Reino Unido um comercial que já circula na internet. Com o bordão “O filme que a CIA não quer que você veja”, o filme de 1′30” é chocante no final. Confira, comente.

Canadá não é uma fria
*** E, por fim, para quem quer saber o que está acontecendo pelo mundo, fica a dica: até 27 de abril (este domingo), acontece em Toronto, no Canadá, o Hot Docs Canadian International Documentary Festival, um dos maiores festivais do gênero da América do Norte. A versão canadense do ‘É Tudo Verdade’ apresenta uma gama enorme de filmes, que tratam desde o processo criativo de artistas contemporâneos islandeses até de um caso polêmico de pornografia em Israel, passando por um forte documento sobre acidente em mina no México. Abaixo, você confere o trailer do documentário de Rody Joffroy, chamado “Los Caídos” (The Fallen, no catálogo da mostra).

Spike Lee e a Humanidade
*** Spike Lee, veja só, montará um filme a partir de produções amadoras feitas em celular. A idéia surgiu após uma parceria com a Nokia e no final do ano a produção deverá ser lançada a partir da junção de conteúdo colaborativo. A união dos diversos filmes se dará a partir da música, já que o mote do filme final será ‘como a música conta a história da humanidade’. Ainda dá para participar, basta ter um celular com câmera. Acesse, aqui, o site da Nokia Productions.

***Cut! é uma sessão semanal deste blog que traz notas garimpadas nos últimos sete dias. Coisas bacanas de saber – e ver – estarão aqui. A coluna estreou hoje.

***Cut! Leitura rápida e informação esperta. Para ler e assistir.


Com recriação de 1968, Bertolucci escancara as caretices pós-modernas

22/04/2008

“Havia algo mágico nos anos 60. Havia união, coisa que não existe mais. O fato de estarmos sonhando juntos, cinema, política, música, jazz, rocnk’n’roll, sexo, filosofia; eram as coisas mais importantes para mim”. Essa é a sentença de Bernardo Bertolucci no vídeo de 52 minutos do making off de “Os Sonhadores”, de 2003.

Bertolucci recriou com delay de 35 anos o ambiente agitado da Paris de 1968, como pano de seu filme, que retrata a relação de descobertas de três jovens, dois irmãos gêmeos franceses e um estudante americano da mesma idade. A dúvida que permanece, entretanto, é porque a retomada do mítico período em 2003.

No filme, a demissão arbitrária do diretor da Cinèmathéque Française, em fevereiro de 1968, leva os três jovens a passarem mais tempo juntos em casa, num período de intensas descobertas sexuais e afetivas tão conturbadas quanto os acontecimentos políticos que se passavam paralelamente. É assim que se desenrola a história dos irmãos gêmeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) com o estudante americano Matthew (Michael Pitt).

A eclosão das manifestações de maio de 1968, que paralisaram a França quase que por completo, aparece apenas nas últimas cenas do filme e, numa união perversa de objetivos, representa também o ápice da crise anunciada que se espera acontecer entre os jovens durante todo o filme. Ali, há a ruptura definitiva entre revolucionários e governo, entre os gêmeos e o intruso americano.

Em 2003 seria difícil recriar a situação. Afinal, 35 anos depois estávamos – e, agora, 40 anos depois, ainda permanecemos – diante de uma sociedade fragmentada, caótica, multidirecionada. A quantidade se sobrepôs à qualidade, e isso se refletiu diretamente nos relacionamentos. Os casamentos se diluem, outros se formam rapidamente. O barato é se relacionar com uma, duas, três, quatro ou quantas mais pessoas forem necessárias para que se satisfaça algo que soa insaciável. Tudo isso dentro dos limites do ‘politicamente correto’ e ‘socialmente aceitável’. Segundo pregam os herdeiros de Plinio Corrêa de Oliveira (TFP), nada de transgredir. Isso é para os imorais.

A atmosfera libidinosa regada a vinho de “Os Sonhadores” não mais seria possível na sociedade politicamente correta de hoje. Mal podem os pobres serem chamados dessa maneira – cuidado! chamem-os ‘menos favorecidos’ – que dirá os jovens descobrirem-se da forma como propõe Bertolucci. Institucionalizou-se, depois de 1968, conceitos contestados à época, como a censura, a hipocrisia e a falta de massa crítica.

Talvez esteja aí a resposta da pergunta feita há pouco. Se para o diretor, como ele afirma no making of, ‘filmar o passado é filmar o presente’, Bertolucci nos propõe uma retomada do aventureirismo saudável de 1968, a incoseqüência inocente e os valores coerentes da época. A proposta, se tomada mais à diante, é um protesto.

Um protesto contra o cinema blockbuster que obedece às metas da indústria cultural, ou contra a política externa estúpida dos players da política internacional. Um protesto, enfim, contra essa caretice embrutecedora e rasa dos – muitos – jovens de hoje. Quem sabe, assim, Bertolucci não fomenta a institucionalização nessa mesma sociedade fragmentada e multi(dis)forme, desses conceitos esquecidos, ditos ultrapassados, e, assim, possamos ter como contemporâneos um novo trio Theo-Isabelle-Matthew. Suas incompatibilidades são preferíveis ao caretismo vigente.

por Eduardo Zanelato


Um Beijo Roubado – Ver ou não ver?

22/04/2008

Os Ewaldos Filhos dão razões para ver e para não ver Um Beijo Roubado, o novo filme de Wong Kar-wai, que traz no elenco Norah Jones, Jude Law, Rachel Weisz e Natalie Portman. Convença-se à vontade.


Um Beijo Roubado – Três (ou mais) razões para ver

21/04/2008

Partindo da premissa da isenção jornalística, este post trará argumentos que justifiquem uma espiadela na produção ocidental de Wong Kar Wai, num contraponto ao post publicado abaixo.

1) Muito mais do que a beleza de Jude Law, Rachel Weisz, Norah Jones ou Natalie Portman, o diretor traz uma longa – sim, o filme é longo – narrativa sobre a fragmentação e o caos da sociedade, ao que alguns chamam pós-modernidade. Oriental que é, Kar Wai não dispensa planos mais longos, cenas mais extensas, e isso é bom em alguns casos, como as primeiras conversas no bar de Law.

2) Os planos ‘escondidos’ por trás dos vidros repletos de inscrições dão um tom metalingüístico ao longa, numa proposta estética caótica, confusa e cheia de informações que às vezes confunde o espectador. E ainda assim, dentro desse caos se acha uma beleza impressionante – com a ajuda fundamental dos olhos firmes de Norah e o sotaque britânico de Law.

3) A cena do beijo é, sim, autêntica. Ok, é clichê do clichê, mas ele consegue reinventá-lo e envolve a cena num misto de significações e romantismo incrível, seguindo a postura adotada ao longo de todo o filme. Aposto que alguns saem das salas loucos por um pedaço de torta de blueberry.

4) A trilha sonora. Cat Power, Norah Jones e cia. mandam muito bem, casando as cenas noturnas – às vezes soturnas – cheias de neon e fumaça a um ambiente jazzístico quase dialético. Quero a minha cópia assim que o CD sair. Enquanto não sai, aliás, recomendo a todos o Jazz Masters. Um tanto mais eclético e animado, deve-se ressaltar, mas segue o estilão da trilha do filme. Ao menos para leigos…

Por fim, concordo que, sim, existem cenas desnecessárias. A fase dramática do policial, por exemplo, poderia ter sido reduzida pela metade. Mas Won Kar Wai dialoga com o amor, com a pós-modernidade e com o caráter fragmentário dos dias atuais. E sem perder a ternura. Se às vezes os blockbusters são necessários, essas peças ‘cabeça’, meio pesadas, são fundamentais para uma saudável reflexão do presente, muito embora seja mais cômodo e fácil dizer que Jude Law e os gritinhos subseqüentes sejam o motivo mais plausível para visitar os cinemas.

+++ Vale, sim, assistir. De qualquer forma, o trailer abaixo permite que você tire suas próprias conclusões.


Festival Sesc – Melhores filmes de 2007

21/04/2008

Ainda dá tempo de assitir a alguns destaques da programação cinematográfica de 2007 no 34º Festival dos Melhores Filmes organizado pelo Sesc. As obras, selecionadas por críticos, jornalistas, professores e pesquisadores, reúnem 58 filmes, 20 nacionais e 38 estrangeiros.

O Festival vai até o dia 24 de abril. Entre os destaques, Em Busca da Vida (foto), de Jia Zhang Ke, A Vida dos Outros, de Florian Henckel von Donnersmarck, e Mutum, de Sandra Kogut.

Clique aqui para conferir a programação do Festival

Por Stefanie Gaspar


Vida ou morte?

19/04/2008

 Seqüestros de políticos na Itália e no Brasil são retratados em filmes de diferentes épocas

 

Bom dia, noite

 Dando continuidade às matérias sobre o ano de 1968, assisti um filme recentemente que faz um paralelo interessante com a época. Bom dia, noite, de 2003, narra um dos episódios políticos mais importantes da Itália: em 1978, ocorreu o seqüestro e assassinato do então primeiro-ministro e presidente da Democracia Cristã, Aldo Moro, pelo grupo revolucionário comunista Brigate Rosse (Brigada Vermelha).

Apesar do partido republicano Democracia Cristã ter sido o responsável pela corrupção que assolava o país desde 1946, o assassinato do presidente mobilizou todo o país, fazendo com que até mesmo o Papa presenciasse seu enterro. O objetivo da Brigada Vermelha teve seu efeito contrário, fazendo com que a organização entrasse em declínio a partir de então. A revolução proletária não surtiu efeito, e nos anos seguintes, o governo italiano foi dividido entre os democratas cristãos e os socialistas moderados. 

Bom dia, noite

Com roteiro e direção de Marco Bellocchio, o longa conta a história a partir do ponto de vista de uma personagem fictícia, Chiara (Maya Sansa), uma jovem de 23 anos que trabalha no Ministério de Milão e vai viver com o namorado em um pequeno apartamento.

Supondo se tratar de uma vida normal, descobre-se ao longo da narrativa que Chiara pertence ao grupo das Brigadas Vermelhas, e participou ativamente do seqüestro de Moro, escondendo-o em sua própria casa. O segredo em manter o presidente cativo faz que com que a garota perca contato com o resto do mundo, e acentue os problemas pelos quais os comunistas passavam. De fato, entrando em conflito com os companheiros, Chiara passa a discordar da decisão de matar o já então velho presidente.

O conflito psicológico da protagonista é evidente, e Bellocchio faz o espectador passar por todos os desenlaces, quando mostra Chiara confusa, e não consegue decidir entre soltar Moro e trair seus amigos, ou prosseguir com a luta. 

Bom dia, noite

 

A moça começa a questionar seus princípios e valores, e passa a ter diversos sonhos sobre sua situação. Por Chiara, é possível notar o sentimento coletivo que se tinha de tentar “consertar” o mundo, e as próprias contradições dos esquerdistas da época. A trilha sonora – composta por músicas clássicas e a faixa “Shine on you crazy diamond”, da banda psicodélica dos anos 70, Pink Floyd – ajudam a compor um cenário angustiante e comovente.

No plano nacional, é possível fazer um paralelo com o filme O que é isso, companheiro?, de 1997, dirigido por Bruno Barreto e com roteiro de Leopoldo Serran.

 

                                                                                          

 

O longa, baseado no livro de Fernando Gabeira, narra o episódio de 1969 no qual o grupo Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8 ) – do qual Gabeira fazia parte – juntamente com o outro grupo esquerdista Ação Libertadora Nacional (ALN), seqüestra o embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick e pede em troca da vida do americano, a libertação de companheiros transformados em presos políticos.

Esta ação isolada foi vitoriosa, pois muitos dos militantes que estavam sendo torturados nos porões da ditadura conseguiram liberdade – incluindo o ex-deputado federal José Dirceu de Oliveira e Silva, cassado em 2005 por quebra de decoro parlamentar. Os organizadores do seqüestro, contudo, foram cassados e exilados, como pena por sua rebeldia.

O MR8 seguia a linha dos marxistas-leninistas, e pretendia implantar o regime de inspiração soviética no país. Levava esse nome em homenagem à data que Ernesto “Che” Guevara fora capturado na Bolívia pelas forças da CIA.

No filme, os militantes Maria (Fernanda Torres) e Marcão (Luís Fernando Guimarães) reúnem um grupo de militantes que não se conhecem para realizar o plano de seqüestro do embaixador (Alan Arkin). Durante toda a narrativa, são mostrados todos os passos do ato, do seqüestro à perseguição dos militantes pela polícia carioca. O elenco conta ainda com Pedro Cardoso – interpretando o próprio Gabeira – Cláudia Abreu, Matheus Natchergaele, Caio Junqueira, Selton Mello, Nélson Dantas, Fernanda Montenegro, Othon Bastos, Alessandra Negrini e Eduardo Moscovis.

 

 

Em um fragmento do que acontecia no período das ditaduras e do imperialismo americano, ambos os filmes mostram que um sentimento libertador e de contracultura assolava o mundo. Movimentos artísticos e sociais convergiam para a defesa dos direitos, da igualdade e de um futuro mais promissor – ainda que utópico. A luta estudantil fazia história com a Primavera de Praga, o Maio francês e a Passeata dos Cem Mil. Entretanto, nesta época surgiram, também, muitas outras ditaduras na América do Sul, e os governos militares se fortaleceram, causando muito mais mortes, desaparecimentos e exílios, minando as possibilidades de uma luta revolucionária bem sucedida. 

Imagens tiradas do site Adoro CInema e do blog Penkala.


Um Beijo Roubado – Três razões para não ver

19/04/2008

1.    Um Beijo Roubado é um filme chatíssimo. Os críticos da Folha estão tentando retirá-lo do purgatório em que se meteu desde sua primeira (e decepcionante) exibição no último Festival de Cannes. Mas é impossível – o filme é um porre. Para entender o porre, imagine assistir a um road movie cult romântico. Prefira o Recém-casados, com Ashton Punk’d Kutcher.

 

2.    Quem protagoniza o filme é a cantora Norah Jones. Sua personagem (Lizzie) sofre uma transformação que você talvez nunca tenha visto em filmes: uma menina insegura que se torna mulher. Inédito, né?! Acontece que Norah Jones, por não ser atriz, acaba convencendo nos momentos de insegurança. O grande problema é que a atriz não acompanha a personagem: a metamorfose de Lizzie, que seria o único trunfo do filme, não acontece.

 

3.    A tradução brasileira do nome do filme é infiel a My Blueberry Nights, mas surte ótimo efeito. Você só não vai dormir durante o filme porque quer ver o tal do beijo roubado. Traduzido ao pé da letra, Minhas Noites de Mirtilos teria o mesmo efeito de um tarja-preta.

 

+++ As mulheres têm uma única motivação para ver Um Beijo Roubado: Jude Law. Ataques histéricos de meninas poderão ser vistos até mesmo por quem preferir o cinema mais sério de São Paulo, o non-pipoca Reserva Cultural.