Acaba de sair em DVD A Última Hora, uma versão cinematográfica daquelas apresentações em Powerpoint que você recebe aos montes por e-mail
Você está lendo seus e-mails quando aparece uma mensagem com o título “Pense Nisso”. Ou então “Pobre Planeta”. Além do seu nome, outros quinhentos estão na lista de destinatários da mensagem. Junto a ela, segue anexa uma apresentação em Powerpoint, dessas bem toscas, que combinam recortes fotográficos com frases de efeito. Geralmente, você demora uns três minutos para chegar até o último slide e voltar ao trabalho. Agora imagine que uma dessas apresentações durasse duas horas.
Leonardo DiCaprio, o principal discípulo do Nobel da Paz Al Gore, é quem produziu essa demorada apresentação de slides em que convida Stephen Hawking para dizer que “a Mãe Natureza está pedindo socorro” ou então chama Mikhail Gorbatchev para lembrar-nos que, “em um universo tão grande, o homem não pode pensar que é superior a todas as outras espécies”. Cientistas, onguistas, jornalistas dos cadernos ambientais, todos eles passam duas horas repetindo tudo aquilo que você já ouviu nas aulas de ecologia da 3ª série.
Por combinar seqüências de fotografias padrão com monólogos de acadêmicos, que aparecem sempre num cenário de estúdio com fundo azul, A Última Hora não é cinema. Não é nem mesmo um programa de televisão – quem transmitiria duas horas ininterruptas de baboseira?
Nem mesmo as intervenções de DiCaprio durante o filme garantem um quê cinematográfico. Muito pelo contrário. Sempre que aparece, a câmera focaliza o ator (no caso, o apresentador do filme, se é que isso existe) e deixa o plano de fundo, que é geralmente uma bela paisagem natural, desfocado. Um recurso idêntico ao utilizado pelo programa Globo Ecologia nas inserções do ator (e apresentador de TV, isso sim existe) Cláudio Heinrich – a comparação é inevitável, até porque os dois atores são parecidos.
Embora tudo o que seja dito no filme seja o óbvio, e que se trocássemos os cientistas que prestam depoimentos por artistas engajados o resultado seria o mesmo, um equívoco gravíssimo merece ser ressaltado: não há espaço para os especialistas que discordam da visão apocalíptica de que estamos “na última hora”, de que se não fizermos nada agora, terá sido tarde demais. Só se dá voz aos que seguem a trilha de Al Gore.
A Última Hora é um spam. Assim como as mensagens de e-mail indesejadas, que agora já vão direto para o lixo eletrônico. Não é cinema.
LUIZ FELIPE FUSTAINO O texto foi publicado originalmente em O Fino da Mostra.
Uma diferença de apenas 8 pessoas separa as duas comunidades sobre Rubens Ewald Filho mais populares no Orkut. 1044 membros que detestam os pitacos do crítico se juntaram na comunidade Rubens Ewald Filho é uma piada. A seu favor estão os 1036 integrantes cadastrados na Cinema com Rubens Ewald Filho.
O que você descobre no Orkut: fuçando as comunidades, o leitor fica sabendo que Ewald Filho será o diretor da comédia teatral “Doce Veneno”, baseado no best-seller da ex-garota de programa Bruna Surfistinha/Raquel Pacheco.
YOUTUBE Ele não é muito prestigiado no Orkut. Não há vídeos com duas pérolas nas transmissões do Oscar, nem as várias gafes de Silvio Santos, que costumava chamá-lo de Rubens Edivaldo Filho ou Rubens Evaldo Filho.
O que você descobre no YouTube: que, além de crítico de cinema e dramaturgo, Rubens Ewald se enveredou pela teledramaturgia – ele foi um dos roteiristas da adaptação para a TV do romance Éramos Seis.
Rubens Ewald Filho fala sobre o seu lado B:
ser diretor de teatro
WIKIPEDIA O que você descobre no Wikipedia: se já não bastavam suas inúmeras vertentes como crítico de cinema, dramaturgo e roteirista de tevê, o Wikipedia revela os filmes em que ele aparece como… ATOR. Rubens Ewald Filho está no filme Amor, Estranho Amor, de Walter Hugo Khouri, bastante conhecido pela cena em que Xuxa Meneghel, que ao invés de reinar entre os baixinhos, se mostrava capaz de protagonizar uma cena de sexo com um garoto de 12 anos.